É A ECONOMIA, ESTÚPIDO! – Condeno a corrupção e o lesbianismo de igual modo: é contra-natura mas quero estar envolvido
25 Nov

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO! – Condeno a corrupção e o lesbianismo de igual modo: é contra-natura mas quero estar envolvido

Este absurdo de perseguir os corruptos obrigou a ausentar-me do país.

A crónica de hoje apanha-me envolvido com hortaliça caribenha, tenrinha e ainda com muito pouco pêlo, mas que felizmente já não grita pela mãe. Aliás, aqui nas ilhas Caimão, Roman Polanski nunca seria preso, mas o realizador foi tão glutão por prémios de cinema como o Armando Vara é por maços de notas de euro com cheiro a lixo, e acabou ele próprio dentro de um cofre helvético.

Parece que o Manel Lixeiro montou uma rede de tráfico de influências de fazer inveja ao Pinto da Costa, mas afinal foi tão bem montada quanto uma estante do Ikea comprada pela Carolina Patrocínio e acabou por bater com os costados numa cela da PJ.

Estes parolos novos ricos mal conseguem disfarçar o cheiro de lavrador e já pensam que montar uma rede de lóbi se faz com três peidos, uma bufa e dois ou três Armandos Vara e um José António Chocolate Contradanças.

Por falar em ar de lavrador...
Por falar em ar de lavrador…

Pensava ele que seria tão fácil como as coisas que montava enquanto gaiato, mas as redes de influência balem muito mais e os coices têm uma violência jurídica que uma ovelha de campo nunca poderá ter.

É que o Manuel Godinho até podia montar muita coisa mas se não aguenta a gabarolice dentro dele, torna-se uma espécie de Zezé Camarinha das redes de influência, o que faz com que ninguém o leve a sério… neste caso, excepto a PJ.

Neste ramo de negócio o silêncio é mais sagrado que o cotão do umbigo do Papa, e a rede não pode ter mais buracos do aqueles abusados pelos bispos católicos americanos, ou do que a defesa do Sporting, vá.

Sejamos claros, condeno a corrupção com o mesmo espírito com que vejo o lesbianismo – é contra-natura mas quero estar envolvido.

Esta crónica já foi escutada pelas autoridades competentes que me asseguraram a sua total irrelevância jurídica desde que fale do Sócrates. Foi também escutada por uma autoridade incompetente, mas o estafeta que leva os pareceres de Noronha do Nascimento monta uma Zundapp-Famel com mais quilómetros de estrada do que a Elsa Raposo tem de gajos.

É a Economia, senhores magistrados!


Nota do autor (2015): Pedro Biltre Farfalho é um personagem fictício, supostamente versado em economia. Com uma personalidade estúpida e machista, foi o primeiro neo-liberal português, já que todos os textos foram escritos numa era pré-Passos. E por neo-liberal entenda-se, um prestador de serviços que está onde está o dinheiro.