É A ECONOMIA, ESTÚPIDO! – Nada como uma orgia queiroziana para afastar a peste de Sócrates
1 Set

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO! – Nada como uma orgia queiroziana para afastar a peste de Sócrates

Boas!

Confesso que desde que acabou a história do Freeport que aguardo que alguém anexe o Sócrates a qualquer outra coisa socialmente repugnante. Ao caso Casa Pia, a uma herança luso-brasileira, à Brandoa, qualquer coisa.

Curiosamente, sempre que um director de jornal decide ligar o Sócrates a algo ruim, ignóbil e insignificante, nunca se lembra de inventar uma relação amorosa com o Miguel Relvas. Para mim era óbvio, e menos penoso que vê-los tentarem fazer política.

Ou então ligado a um plano diabólico para apoiar o Manuel Alegre tardia, tímida e incipientemente por forma a ajudar o Cavaco a ganhar na primeira volta, num plano engendrado pelo António Vitorino. Esta é boa, até porque sempre que uma estória mete anões o povo fica sempre entretido.

Se os jogadores fossem acordados por esta para fazer análises do dopping este seria um não-caso e teríamos ganho à Espanha. Pensem nisso.
Se os jogadores fossem acordados por esta para fazer análises do dopping este seria um não-caso e teríamos ganho à Espanha. Pensem nisso.

Ou ainda que o Rei dos Gnomos é, na realidade, o primo escondido de Sócrates entretanto descoberto num edifício tipo mosteiro em Torres Novas, a aprender a arte “bundista” da paneleiragem, e que por acaso deu-se o percalço de matar pessoas. Não?

Mas nada! Nem um caso! E é pena, porque lixar a vida ao Sócrates faz os consumidores esquecerem a sua pobreza de vida, aumentando assim a sua confiança para consumir. Parece que o povo fica mais alegre, gastador e libertino. Deve ser algo como: “Estou? Querido!? Olha, estão a lixar o Sócrates novamente! Quando saíres do centro de emprego, compra aquela televisão de cinquenta polegadas que tanto querias!”

Anyhoo, estava já eu a fazer contas a um segundo semestre de 2010 negro em termos de consumo, quando o Secretário de Estado do Desporto inventa o caso Carlos Queiroz. Afinal ainda há governantes que trabalham em prol do país.

Não há nada como um bom regabofe para distrair o povo e aumentar os níveis de confiança, e uma orgia queiroziana vem mesmo a calhar. Ele é médicos e filhos da p*ta, dopping e negligência, polvos e caldeiradas com faltas de urina, conspirações governamentais e entrevistas despropositadas, e jogadores de futebol – e até o Paulo Ferreira – que desistem da selecção.

Quanto maior for a orgia, mais o povo se distrai de coisas deprimentes como desemprego, estar na cauda da Europa e programas do Júlio Isidro… e aumenta o consumo interno. O Sócrates tem pago os seus erros em escandaleira. Chegou a altura de Queiroz pagar.

É a Economia, seleccionador nacional.


Nota do autor (2015): Pedro Biltre Farfalho é um personagem fictício, supostamente versado em economia. Com uma personalidade estúpida e machista, foi o primeiro neo-liberal português, já que todos os textos foram escritos numa era pré-Passos. E por neo-liberal entenda-se, um prestador de serviços que está onde está o dinheiro.