É A ECONOMIA, ESTÚPIDO! – A revisão constitucional do PSD já enraba o povo de forma jeitosa mas não fundo o suficiente
15 Set

É A ECONOMIA, ESTÚPIDO! – A revisão constitucional do PSD já enraba o povo de forma jeitosa mas não fundo o suficiente

Boas!

Tenho andado a reflectir na proposta de Revisão Constitucional do PSD, e cheguei à conclusão que tal como o talento de Miguel Relvas para a política, a proposta peca por escassa.

Radical, dizem os socialistas. Radical é “fazer” uma prostituta sul-africana sem preservativo! Ou entregar os destinos do país ao Santana Lopes! Isso sim, foi base jumping político sem pára-quedas.

O projecto do PSD não é radical. É fraquinho e mole como só um Jaime Gama ou a pila de um idoso consegue ser. Encarregar o Paulo Teixeira Pinto para fazer e defender o novo projecto de Constituição não é radical. É parvo.

Precisamos de um texto com mais capitalismo selvagem, com a consagração do intermediário e da economia pararela como bastião económico do país. Querem uma boa bitola? Estará no ponto quando provocar um arrepio no escroto vermelho do Bernardino Soares, ou fizer publicamente despir em protesto a deputada Rita Rato. Tipo, “eles levam-nos tudo e querem entrar por trás”.

Estou aberto a um protesto do PCP tipo “eles levam-nos as roupas e violam-nos anal e repetidamente”. Eu faço de capitalista.
Estou aberto a um protesto do PCP tipo “eles levam-nos as roupas e violam-nos anal e repetidamente”. Eu faço de capitalista.

Anyhoo, deixo já aqui, até porque isto ainda pesa tanto quanto um Pacheco Pereira ou dois, a minha proposta para uma revisão constitucional à séria.

Ponto um. O povo. No artigo 10.º diz que “o povo exerce o poder político …”. Mas está tudo bêbado ou quê?! O povo sabe lá exercer o poder! Quanto muito sabe ser presidente da comissão de festas da Nossa Senhora da Caralheira de Baixo. O povo é incompetente e tem nulo conhecimento em empreendedorismo, hedge funds, ou náutica de recreio. O povo não serve para governar. Serve para trabalhar com salários mínimos e um vínculo precário o suficiente para ser despedido sempre que um empresário quiser aumentar a margem de lucro ou trocar de iate. Rua com o povo!… mas antes tirem-lhe os cartazes e as armas das mãos.

Ponto dois. O dinheiro. O Estado arrecadará em 2010, 54 mil milhões de euros em impostos aos parvos que os pagam. E eu não vejo razão atendível para esta enorme quantia não passar primeiro por mãos privadas. A minha proposta é simples. O dinheiro vem todo para nós, capitalistas e intermediários, que compraremos apenas os bens essenciais à nossa sobrevivência: barcos, mansões, ilhas e políticos liberais. Depois, aumentos de capital nas nossas empresas de saúde, educação e seguros. Finalmente, o que sobrasse distribuía-se pelos cinzeiros dos Aston Martin’s e Bentley’s para dar esmola aos que precisam.

O Estado Social passaria a ser Estado do Ohhh. Tipo, “Ohhh, tão querido, aquele senhor parece mesmo estar com carcinoma em estágio 4. Podemos mandar moedas? Podemos? Ohhh, o semáforo abriu, fica para amanhã, se ele ainda andar por aí”.

É a Economia, povo de Abril.


Nota do autor (2015): Pedro Biltre Farfalho é um personagem fictício, supostamente versado em economia. Com uma personalidade estúpida e machista, foi o primeiro neo-liberal português, já que todos os textos foram escritos numa era pré-Passos. E por neo-liberal entenda-se, um prestador de serviços que está onde está o dinheiro.